Projeto de extensão do IFRR/CAM finaliza atividades com Feira do Empreendedor no Trairão

por Rebeca publicado 12/12/2019 11h25, última modificação 12/12/2019 14h27
Quatro projetos foram apresentados na feira: “Horta na Escola”, “Trairão Tur”, “Café das Meninas” e “Zumba”

Vinte e oito estudantes do ensino médio que moram na Vila do Trairão, distante 75 km da sede do Município do Amajari, participaram, nesta quarta-feira, 11, da primeira Feira do Empreendedor do Trairão. Foram apresentados quatro projetos com ideias empreendedoras para a localidade.

Os projetos são “Horta na Escola”, “Trairão Tur”, “Café das Meninas” e “Zumba”. As ideias são o resultado de seis meses de trabalho do projeto “Jovem Empreendedor: Trairão e suas potencialidades”, desenvolvido, às quartas-feiras, pelo Campus Amajari, por meio Programa Institucional do Instituto Federal de Roraima de Bolsa de Extensão Acadêmica (Pbaex).

Participantes do projeto “Jovem Empreendedor: Trairão e suas potencialidades”

A ideia de levar um projeto partiu da aluna alojada do curso Técnico em Agropecuária do IFRR/CAM Izabella Félix da Silva, 16, moradora do Trairão e bolsista do Pbaex. Ela já é uma empreendedora: vende bolos de pote. Mas a inquietação de não ver opções de capacitação ou lazer para jovens e comunidade a fez propor o projeto à professora Luciana Barros, que aceitou ser orientadora. O time ganhou o reforço do professor Rafael Barros.

Aluna Izabella Félix com os professores Luciana Barros e Rafael Barros

Pensado inicialmente apenas para alunos do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Francisco Pereira da Silva, o projeto, devido à demanda de outros jovens interessados, foi expandido por Izabella e pela professora para todos anos do ensino médio da unidade escolar.

 

O resultado não poderia ser outro: quatro ideias empreendedoras, apenas quatro desistências e 28 jovens entre 15 e 20 anos pensando em empreender, ter uma fonte de renda e fazer a diferença no local onde moram. “Certamente”, diz Izabella, “a mente de todos nunca mais será a mesma”.

“Eu chego à reta final muito feliz. Nós não seremos os mesmos, porque tivemos a oportunidade de mudar a vida de 32 jovens. A gente vê que eles aproveitam. Dentro do nosso projeto, a gente cumpriu nosso objetivo. Só de vê-los interessados em saber se haverá uma segunda turma já faz valer a pena essa caminhada”, disse com entusiasmo a jovem.

A aluna declara que foi um desafio levar o projeto até o Trairão, primeiro pela distância, depois pela estrada, que, na época do inverno, fica praticamente intrafegável, e, por último, pelas poucas ou quase nenhuma oportunidade de capacitação existente na localidade. “Não foi só um projeto que ficou na sala de aula. Eles puderam repassar para pais, avós e família. Todos os desafios valeram a pena”, afirmou.

Para o desenvolvimento das atividades, a ideia contou com a parceria do Sebrae, que ofereceu apostilas do curso Despertar, as camisetas e o modelo de negócios por meio Canvas. Os professores Luciana Barros e Rafael Barros participaram do curso Despertar, em Boa Vista.

O diretor-geral do Campus Amajari, George Sterfson Barros, lembrou que esse não foi nem será o último curso que a unidade de ensino leva ao Trairão. Segundo ele, quando nomeado, em 2009, para conduzir o processo de implantação do CAM, o primeiro curso oferecido, por intermédio do Campus Boa Vista, foi o de Iniciação à Informática.

“Na época, não tínhamos servidores ainda, era o diretor e uma servidora, e a energia aqui (Trairão) era só duas horas pela manhã e às 6h da tarde. Depois tivemos a segunda turma de informática e nossa primeira turma de alternância foi daqui. Então, nossa relação com a localidade já vem de muito tempo e ficamos muito felizes em aproveitar o potencial desses jovens”, disse.

A professora Luciana Barros falou do desafio e da gratificação de participar do projeto. Desafiador, conforme ela, porque chegar à região semanalmente é difícil e, algumas vezes, até perigoso, por causa das condições da estrada. Outro desafio citado por ela foi manter os alunos no projeto, pois alguns vinham de áreas mais distantes.

“Contudo, esses medos foram vencidos semana após semana, pois os meninos continuavam, para minha surpresa. Quando as ideias começaram a tomar corpo, eu ficava cada vez mais encantada com o desenrolar do projeto. Alguns grupos se destacaram brilhantemente, como o “Café das Meninas”. Mas o que mais me emociona mesmo é saber que esse projeto pode alcançar jovens que se sentem excluídos das oportunidades”, relatou Luciana.

 

Ascom/Reitoria
Rebeca Lopes
Fotos: Nenzinho Soares/IFRR
12/12/19
 
 
 

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