Formando do IFRR/Campus Amajari é convocado em concurso no Amazonas

por Rebeca publicado 15/12/2020 11h45, última modificação 15/12/2020 11h45
Lucas Barroso, indígena wapichana, morador na Comunidade Araçá, Município do Amajari, foi convocado pela Agência de Defesa Agropecuária Florestal (Adaf)

“A gente sempre pensou que a educação mudaria nossas vidas”. Essa é a afirmação do formando do curso superior em Tecnologia em Aquicultura do Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima (CAM/IFRR) Lucas Barroso Januário, 23 anos. Ele foi recentemente convocado no concurso da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas (Adaf).

Morador da Comunidade Indígena Araçá, Município do Amajari, e o mais novo de nove irmãos, Lucas foi aprovado no concurso de 2018 da Adaf para o cargo de técnico em fiscalização agropecuária. Até à próxima semana, ele defende o trabalho de conclusão de curso no CAM, onde já se formou em técnico em agropecuária em 2017, e será o mais novo tecnólogo em aquicultura.

Segundo Lucas, o incentivo da família, em especial da mãe, para que ele e os irmãos encontrassem nos estudos a principal estrada para vencer na vida fez a diferença. Um dos irmãos, que também concluiu o técnico no CAM, é concursado da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima; uma irmã, professora; outro cursa Ciências Políticas na UnB. Tem um fazendo o Tecnólogo de Aquicultura no CAM; duas são seletivadas do estado; um, do governo federal; e outro autônomo. “Basicamente minha mãe sempre falou que o que poderia dar para a gente eram os estudos. Então, a gente sempre pensou que a educação mudaria nossas vidas”, relatou.

Ele também comenta como estudar no IFRR contribuiu para esse momento. “Para mim, os professores e servidores foram importantes. Tanto o curso técnico como o superior foram importantes na minha vida acadêmica e pessoal, em especial o tecnólogo, porque me fez crescer como pessoa, profissional.  Fico imaginando que eu concorri com 2 mil pessoas, e isso é resultado da educação que eu tive, desde o médio até o superior, com professores mestres e doutores. Então, para mim, o instituto foi muito importante”, disse. 

Perguntado sobre como está lidando com a ansiedade de deixar a família, amigos para mudar de estado, Lucas assegurou que está tudo tranquilo, visto que sempre teve o pensamento de, depois de terminar os estudos, ganhar o “mundão”, como se fala no ditado popular. “Não estou ansioso, porque é algo que eu sempre quis, sempre pensei em conhecer, em sair do lugar onde estou, conhecer novos lugares, novas pessoas. Eu sempre mantive esse pensamento”, contou.

Para a reitora pro tempore do IFRR, Sandra Mara Botelho, a história de sucesso do Lucas Barroso é a trajetória da maioria de estudantes que buscam mudar o rumo de suas vidas por meio de uma educação de qualidade. “Para o IFRR, é motivo de orgulho saber que os conhecimentos teóricos aprendidos em nossa instituição serão socializados para além de nossas fronteiras e também de muita responsabilidade porque educação de qualidade, pública e inclusiva transforma vidas", comemorou Sandra.

Já para o diretor-geral pro tempore do CAM, George Sterfson Barros, é sempre uma alegria compartilhar de momentos como o de Lucas, uma vez que mostra a importância de manter em funcionamento uma escola que oferece ensino de qualidade a filhos de agricultores, indígenas e moradores de regiões distantes da Capital. “Essa felicidade do Lucas é também nossa, porque seguimos acreditando que a única forma de mudar este país é através da educação”, comentou.

 

Ascom/Reitora
Rebeca Lopes
Fotos: Divulgação
15/12/2020

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