IFRR no Amajari forma segunda aluna estrangeira

por Antonio de Souza Matos publicado 03/07/2017 09h30, última modificação 03/07/2017 09h30
Dedicação, superação, garra e determinação. Assim tem sido a trajetória de Milangel Carolina Guerrero Camarillo, 18, que apresentou, na noite desta quarta-feira, dia 28, o relatório de estágio para tornar-se a segunda venezuelana a concluir um curso técnico pelo Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima
IFRR no Amajari forma segunda aluna estrangeira

A venezuelana Milangel Camarillo concluiu o curso Técnico em Agropecuária

Dedicação, superação, garra e determinação. Assim tem sido a trajetória de Milangel Carolina Guerrero Camarillo, 18, que apresentou, na noite desta quarta-feira, dia 28, o relatório de estágio para tornar-se a segunda venezuelana a concluir um curso técnico pelo Campus Amajari do Instituto Federal de Roraima.

O relatório, apresentado à banca formada pelos professores Jacinta Rodrigues (orientadora), Roberson Carvalho e Karine Kelly Oliveira, recebeu a nota máxima, 10, e tratou das atividades de manejo de caprinos e manutenção dos sistemas agroflorestais. Na parte de reprodução de alevinos, tratou do estágio na Estação de Balbina, em Presidente Figueiredo (Amazonas).

Para chegar a esse momento, Milangel teve que vencer alguns desafios, como fazer o estágio curricular, elaborar o relatório e ainda se dividir na assistência à mãe, Milagros Camarillo Pérezque, que sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) e que continua em recuperação.  Outra intempérie da vida ocorreu aos 11 anos de idade, quando ela e a mãe tiveram que se mudar de Los Teques, cidade próxima a Caracas (VE), para Santa Elena de Uairém, fronteira com o Brasil. Devido a questões financeiras e ao fato de no Brasil não ser cobrado fardamento, ela precisou estudar na cidade de Pacaraima, onde cursou todo o ensino fundamental.

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Milangel Camarillo com os professores da banca, Jacinta Rodrigues (orientadora), Roberson Carvalho e Karine Oliveira

Conforme Milangel, no 9.º ano da escola estadual, tomou conhecimento da existência do Campus Amajari e, mesmo sabendo que teria de morar longe da mãe, se inscreveu no processo seletivo do curso Técnico em Agropecuária e foi selecionada.

Começaria aí mais uma barreira: morar longe de casa e em um alojamento, tudo para não deixar escapar a chance de concluir o ensino médio, ter boa educação e assim buscar a realização do sonho de criança: tornar-se médica veterinária. Foram três anos morando no alojamento feminino do CAM para chegar a esse momento.

“Durante todo o tempo em que estive alojada, acho que o mais difícil foi ficar longe de casa. Mas vivenciar esse período me ensinou muitas coisas, como conviver com pessoas diferentes, aceitar as pessoas do jeito que são, conhecer outras culturas e ensinar um pouco da minha também”, disse Milangel.

Como ela mesma comentou antes da apresentação do relatório, o sentimento era de ansiedade, frio na barriga, mas também de segurança por dominar bem o que iria apresentar à banca.  E o resultado não poderia ser outro: aprovação com nota 10. Agora, concluída essa fase acadêmica e indagada se pretendia voltar à Venezuela, a aluna descartou a possibilidade.

Os planos dela envolvem mudar-se para Boa Vista, conseguir emprego na área técnica e ingressar na faculdade. “Sempre sonhei em ser veterinária e vou correr atrás disso e de um trabalho em Boa Vista, seja de assistência técnica, seja em casa veterinária. Sei que não será fácil, mas tenho esperança de conseguir”, comentou.

Elogios ao esforço, à dedicação e à garra da aluna foram destaque pela banca. A orientadora Jacinta Rodrigues comentou que acompanhou Milangel desde quando a aluna chegou ao IFRR e se sentiu contente em ser convidada para orientá-la. “Pela aluna que ela é, esforçada, dedicada, fiquei muito lisonjeada com o convite. Eu vi a dificuldades que ela enfrentou e, apesar de tudo, a gente observa que ela veio com objetivo, e o resultado não poderia ser outro”, frisou.

 

Rebeca Lopes
CCS/IFRR
29/6/17

 

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