ESPECIAL EAD - Seis dos sete polos de Educação a Distância do IFRR/Campus Amajari recebem visita

por Rebeca publicado 30/12/2019 08h15, última modificação 30/12/2019 08h15
Foram 965 km percorridos em dezembro. Nos cinco dias de viagem, os polos visitados foram os das sedes dos municípios do Uiramutã e de Normandia, e os das comunidades indígenas Raposa e Araçá da Serra (Normandia) e do Truaru da Cabeceira (área rural de Boa Vista), além da Vila do Taiano (Alto Alegre).

Em funcionamento em sete localidades, sendo três em comunidades indígenas, seis dos polos do Núcleo de Educação a Distância (Nead) do Campus Amajari do Instituto Federal que oferecem o curso subsequente de Técnico em Agropecuária receberam a visita de acompanhamento e monitoramento das ações pela Coordenação e pela Diretoria de Políticas de Educação a Distância (Dipead).

Foram 965 km percorridos em dezembro. Nos cinco dias de viagem, os polos visitados foram os das sedes dos municípios do Uiramutã e de Normandia, e os das comunidades indígenas Raposa e Araçá da Serra (Normandia) e do Truaru da Cabeceira (área rural de Boa Vista), além da Vila do Taiano (Alto Alegre). As turmas são formadas, predominantemente, por alunos indígenas.

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Maior parte da viagem é feita em estradas sem asfalto
As viagens de monitoramento da Dipead ocorrem ao menos duas vezes ao ano. E, como o curso técnico está encerrando o último semestre de aula e deve formar as sete turmas com 106 alunos em março de 2020, a diretora da Dipead, Betânia Grisi, acompanhada da coordenadora do Nead, Edivânia Santana, visitaram os polos para conversar com os estudantes sobre a oferta e as expectativas de atuação, bem como resolver pendências, como aplicação de provas e recebimento de trabalhos.

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Polo do Taiano

Nas visitas em cada polo, as gestoras ouviram dos estudantes as dificuldades enfrentadas ao longo do curso, bem como os aprendizados que estão utilizando para melhorar a produção agrícola, visto que a maioria deles são filhos de pequenos agricultores ou têm família que trabalha com a terra ou com a pecuária.

Foi quase unanimidade entre os alunos a fala de que deixaram de usar o fogo como forma de preparo da terra. Essa “cultura” é até hoje praticada em todo o estado, seja por indígenas, seja por brancos. Quando o inverno se aproxima, é comum o número de queimadas aumentar. Mas, se depender dos novos técnicos em agropecuária, essa é uma cultura que ficou para trás.

E os bons exemplos vão ganhando fama. Adotando as “novas técnicas” em suas comunidades, quatro alunos indígenas da turma do polo presencial do Araçá da Serra, em Normandia, foram convidados para palestrar na Comunidade Indígena Teso do Gavião, que fica próxima, sobre compostagem e prática de fogo.

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Aluna do polo Araçá da Serra Lucivânia Servino

Uma dessas alunas é Lucivânia Servino Andrade, 32, que já tem formação como técnica em cooperativismo pela EAD/CAM. Ela contou que, no atual curso técnico, adquiriu conhecimentos importantes para serem aplicados na família e na comunidade. “Através do meu irmão, que dá aula na escola de lá, a gente foi convidado para falar”, disse.

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Deucineide Batista, do polo da sede de Normandia

Outro bom exemplo de respeito ao meio ambiente e melhoria do plantio com aplicação das técnicas aprendidas no decorrer do curso é o da aluna Deucineide Batista Alves, do polo da sede de Normandia, que chegou a pensar em desistir do curso. Na casa dela, aplicou os conhecimentos para plantar banana, feijão, mandioca e pimenta. “Eu plantava sem conhecimento e, às vezes, dava certo. Hoje, seguindo as orientações dos professores, eu corto a maniva de forma correta, e até comi banana de uma bananeira que nunca tinha dado cacho”, explicou.

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Fabiane Pereira, moradora da Comunidade Indígena da Barata (Alto Alegre) e aluna do polo do Taiano

O curso também ajudou em áreas como planejamento e organização, segundo Fabiane Pereira da Silva, moradora da Comunidade Indígena da Barata (Alto Alegre) e aluna do polo do Taiano. “Contribuiu muito na minha organização, no meu planejamento financeiro, porque passei a ter a visão de criar para ter renda, de pensar no amanhã, e não apenas em ter hoje para comer. E envolvo minha família nisso. Minha filha até faz planos de estudar no instituto”, frisou.

Para a diretora da Dipead, Betânia Grisi, com todos os desafios de fazer o ensino a distância, que vão desde as dificuldades de ter, em todas as localidades, a estrutura mínima para receber as equipes de profissionais que fazem ocorrer a EAD até o acesso a internet, ouvir depoimentos de jovens e adultos de que o IFRR tem feito a diferença na vida deles é um combustível. “Estamos muito felizes com os resultados alcançados e encontrados em cada polo visitado. Com todos os desafios, nós nos deparamos com resultados positivos, e isso nos motiva cada vez mais a buscar melhorias para a EAD”, afirmou.

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Diretora da Dipead, Betânia Grisi, e a coordenadora do Nead/CAM, Edivânia Santana

Já a coordenadora do Nead, Edivânia Santana, lembra os muitos obstáculos enfrentados, sendo que inicialmente muitos estudantes não tinham sequer contato com as tecnologias da informação e da comunicação (TICs). Após ser identificado esse problema, toda a equipe foi mobilizada para encontrar estratégias que facilitassem o acesso aos conteúdos, visando superar as dificuldades.  

“Nossa equipe precisou repensar estratégias para conseguir superar as dificuldades, sobretudo de forma coletiva, observando o que tinha dado certo na estratégia individual, para então tornar coletiva nossa forma de ensinar. Tivemos de fazê-los entender que as dificuldades com internet, energia, logística não eram problemas do curso e que tínhamos de ter alternativas para superá-las, deixando o vitimismo de lado. Ouvi-los e vivenciar suas experiências nos mostra que todo o esforço valeu a pena. Agradeço a toda a equipe de educadores o empenho e o esforço para que possamos atuar da melhor maneira possível”, comentou Edivânia.

 

Ascom/IFRR
Rebeca Lopes
Fotos: Nenzinho Soares/IFRR 
30/12/19

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