DIA DO ÍNDIO – Campus Boa Vista leva projetos sociais às comunidades indígenas

por Virginia publicado 17/04/2019 17h40, última modificação 23/04/2019 09h51
Com essas ações, o IFRR, por meio de seus campi, beneficia centenas de indígenas com atividades de lazer, esporte, saúde, orientações técnicas,entre outras

As atividades alusivas ao Dia do Índio, comemorado em 19 de abril, representam uma excelente oportunidade para promover discussões sobre a responsabilidade social das instituições e dos órgãos governamentais voltados ao atendimento dos povos indígenas.

O Campus Boa Vista do Instituto Federal de Roraima (CBV-IFRR), cumprindo o que prevê as políticas de ensino, pesquisa e extensão, desenvolve diversas ações em comunidades indígenas tanto da zona rural de Boa Vista como dos outros municípios do interior.

Com essas ações, o IFRR, por meio de seus campi,  beneficia centenas de indígenas com atividades de lazer, esporte, saúde, orientações técnicas, entre outras. As parcerias têm sido firmadas, principalmente, para a oferta de cursos de formação inicial e continuada (FIC), cursos de extensão em diversas áreas e também cursos de formação de professores e servidores da educação indígena.

Nova Esperança – O CBV esteve presente  na Comunidade Indígena Nova Esperança com a ação social “Meio ambiente: o futuro de todos nós”, realizada entre os dias 8 e 13 de abril, com o objetivo de apoiar a comunidade nas questões ligadas às suas lutas por melhores condições de vida, saúde e educação.

Coordenada pelos professores Raimunda Maria Rodrigues, diretora do Departamento de Apoio Pedagógico Curricular (Dape-CBV), e Ismayl Carlos Cortez, coordenador da Comissão Permanente de Processo Seletivo e Vestibular (CPPSV-CBV), a ação teve como público-alvo mulheres e crianças da Comunidade Nova Esperança, formada por indígenas das etnias wapixana, taurepang e macuxi, localizada no Município de Pacaraima.

A atuação da equipe do CBV, que contou com a participação dos coordenadores do projeto, de professores colaboradores e de acadêmicos dos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas e Licenciatura em Letras/Espanhol e Literatura Hispânica, se deu com a oferta de palestras sobre os cuidados com o meio ambiente e bulliyng, além de uma oficina sobre a produção de sabão bioecológico, e atividades recreativas para as crianças.

Nessas atividades, elas foram orientadas sobre a importância do respeito, do trabalho em equipe, de seguir regras, da participação com o fim de se divertir e não só competir para ganhar prêmios, entre outros valores da vida coletiva. “Minha participação nessa ação, a convite da professora Raimunda, é decorrente de uma pesquisa sobre brincadeiras indígenas e africanas realizada na disciplina de Cultura Brasileira, ministrada pela professora Jerusa. Vi uma oportunidade de pôr em prática os conhecimentos adquiridos durante minha formação, ao mesmo tempo em que poderia interagir com a cultura da comunidade. Durante a ação, busquei promover a interação, o respeito às regras e aos outros, o trabalho em equipe com o jogo de “bandeirinha”, além de cuidados  com o meio ambiente. Quando conversei com as crianças, percebi que muitos desses valores são práticas em seu cotidiano e, assim, considero que a atividade foi um sucesso, pois atendeu às expectativas da comunidade. Para mim, como professora em formação, foi muito importante trabalhar temáticas ligadas à cultura com as crianças, pois aperfeiçoei minhas habilidades de docência em um contexto não formal”, enfatizou Luciana Veloso Cardoso, acadêmica do 7.º módulo do curso de Licenciatura em Letras/Espanhol e Literatura Hispânica.

Para a professora Raimunda, essas ações perpassam por diferentes olhares, perspectivas e saberes, o que envolve pesquisa, estudo e ação multidisciplinar. “Considerando que a universidade se caracteriza pela indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, devendo, por isso, oportunizar aos acadêmicos vivências em diferentes contextos sociais, justifica-se o desenvolvimento desta ação de extensão acadêmica, de modo que possam aperfeiçoar suas competências profissionais em sua área de formação, além de aplicarem seus conhecimentos teórico-práticos em uma ação coletiva em que irão interagir com a cultura indígena”, disse.

Campinho - Outra ação que tem feito sucesso é o projeto “Brincadeiras Indígenas: a prática na Comunidade Indígena do Campinho, em Boa Vista”, este desenvolvido por professores e acadêmicos do curso de Licenciatura em Educação Física. Esse projeto tem como finalidade realizar um evento de culminância das ações realizadas durante o semestre letivo, nas disciplinas de Educação Indígena, Metodologia do Ensino e História da Educação.

A ação integrada proporciona aos acadêmicos a vivência da realidade educacional dentro de uma comunidade indígena, por meio da execução de um plano de aula elaborado pelos próprios alunos.

Para a professora Jerusa Soares, que coordena o projeto em conjunto com os professores Márcia Senna, Roseli Bernardo e Moacir Augusto de Souza, essa ação se constitui em uma proposta inovadora dada a integração de culturas. “A cultura indígena está presente no nosso dia a dia, como a língua, os alimentos, a poesia, as brincadeiras e os jogos. É, portanto, um tema que propicia ao aluno a identificação com outros grupos sociais, auxiliando-o na construção da sua identidade, de forma positiva. Essa cultura está inserida na cultura urbana de forma direta e indireta, portanto é de grande valia que saibamos seus costumes, seus hábitos e rituais. E trazer esse contexto para o ambiente acadêmico é desafiador, pois termos que desconstruir barreiras impostas pela sociedade, pelo desconhecimento dessa cultura”, disse.

O acadêmico do 1.º módulo do curso de Licenciatura em Educação Física Rafael Barros Pinheiro é um dos alunos que participam do projeto e que falam com entusiasmo dessa ação, que contribui para a formação profissional e humana dos estudantes. Ele destacou que, por meio dessa atividade, entrou pela primeira vez em uma comunidade indígena. “Tivemos a oportunidade de conhecer diversos aspectos de uma comunidade indígena, inclusive eu que nunca havia estado em uma delas. Percebemos como se dão as relações econômicas, sociais, políticas, educacionais e, sobretudo, a cultura indígena, algo muito significativo para nossa formação. Por meio do projeto, pudemos perceber também como se dá a integração do índio à nossa sociedade, e como os futuros profissionais da área de Educação Física poderão atuar nessas comunidades. Ações como essas contribuem para que diminua o preconceito e o estigma contra os índios, pois esse povo faz parte de nossas origens e é muito carente de ações desse tipo. Outro fator importante é que poderemos sensibilizar outras pessoas e instituições para que também desenvolvam esse tipo de projeto e, assim, mais comunidades possam ser beneficiadas”, disse.

Em 2018, o CBV realizou um total de nove ações de extensão em comunidades e, por meio delas, 121 indígenas foram beneficiados com cursos nas áreas de informática, secretariado, comunicação, idiomas, eletrotécnica, e formação de professores. Esses dados são expressivos, na medida em que evidenciam a política de extensão indígena, por meio da qual se valorizam aspectos das diversidades sociais e culturais desses povos.

 

 
Virginia Albuquerque
CCS/Campus Boa Vista
17/4/19